sexta-feira, 26 de junho de 2015

JUAREZ MACHADO, O NON SENSE VITORIOSO


Em 16 anos de carreira, Juarez Machado marcou sua atividade como artista por constante renovação e uma quase obsessão por novas formas de expressar suas ansiedades. Escolhendo São Paulo para sua primeira exposição este ano no Brasil, ele investe, uma vez mais, em novo recurso para mostrar seus desenhos. 

Agora, Juarez comparece à inauguração das novas instalações da Publicidade Archote, onde apresenta uma série de trabalhos em espelhos (também usados na decoração da boate Hipopotamus, com grande sucesso e aceitação dos colecionadores de São Paulo). Conquistado o prestígio internacional, com exposições e trabalhos realizados para galerias e publicações da Europa (Holanda, Bélgica, Suíça e Itália), a obra de Juarez foi responsável pela maior surpresa no mercado de arte brasileira no ano passado: uma valorização de 150% em seus trabalhos, comprovada artisticamente. 

Um comentário de um marchand de famosa galeria de São Paulo dá uma idéia exata do prestígio alcançado por Juarez no mercado de arte: “É a melhor caderneta de poupança que existe. E a mais bonita”. A escolha de Juarez para marcar a ampliação de suas atividades como agência de propaganda não foi feita, pela Archote, ao acaso. A agência pretende imprimir uma linha de igual sensibilidade em seu atendimento e chegou a um encontro extremamente feliz com Juarez. 

Edgard Soares, diretor de planejamento da Publicidade Archote, explica: “A vinda de Juarez faz parte de um esquema de mudança radial na imagem da Archote. Somos hoje uma das mais antigas agências de capital brasileiro em atividade Em 31 anos conseguimos formar o maior departamento de anúncios classificados do país e estamos entre as 20 agências que mais faturaram em 1975. O segundo semestre de 1976 marcará o início das atividades da Archote como agência de campanhas publicitárias. Uma equipe inteira foi contratada e temos agora um time de criação tão bom como o das melhores agências brasileiras. Juarez vem inaugurar essa nova fase. Não poderíamos ter escolhido melhor. 

Entre os vários prêmios conquistados por Juarez, destaca-se o “Prêmio Internacional”, da Bienal de Desenho de Humor na Arte, conquistado na Itália, em 1969. Mas Juarez não tem se limitado apenas ao desenho e à escultura. O grande público foi alcançado pelo artista através da mímica e da coreografia, realizadas em número considerável em programas de televisão, peças de tetra e shows.

Como dizia Drummond em crônica publicada no Jornal do Brasil, em abril passado, “apresentamos alguma coisa com Juarez Machado (em sua mímica e também em seus desenhos tão calados). E teremos fundado, por nossa conta, uma reserva ecológica de silêncio”. 

A exposição de espelhos de Juarez Machado chega num momento em que os pintores modernos são ainda os da famosa Semana de Arte de 22 e não se pronuncia nenhum outro grande talento. Juarez supre essa ausência com a arte do non sense, sem se enquadrar rigidamente em nenhuma das classificações mais conhecidas. Não é um cartunista, não é um ilustrador, não é um pop-art, nem é moderno. É Juarez Machado. Quieto artesão plástico do século 21. 

Ao mesmo tempo em que coloca seus espelhos no salão nobre da Publicidade Archote, Juarez se vê assediado por uma procura cada vez maior de seus trabalhos. E procura, por sua vez, não repetir nunca. Lança essa nova série de 15 espelhos, executados em jato de areia, combinando a técnica da serigrafia, gravura e arte final com aplicação manual de Juarez, de forma a provocar um clima de participação entre espectador e obra, ocupando um espaço que o artista lhe reserva nos espelhos. 

A inauguração da exposição ocorreu dia 23, às 20 horas, na Rua Jandaia, 72, sede da Archote. As obras de Juarez Machado foram avaliadas de 4 a 15 mil cruzeiros. Além dos 15 espelhos mistos, produzidos pela Lithos Rio, estarão expostos cinco trabalhos originais e pelas da coleção de joias eróticas, em prata, criadas a quatro mãos com o joalheiro carioca Caio Mourão sobre desenhos de Juarez. Obras que são distribuídas em São Paulo por Ter Arte. A exposição se estenderá até o dia 30 de junho, sempre a partir das 18 horas. A seguir, os trabalhos serão expostos num circuito pelas capitais brasileiras. 

Os 16 anos de uma grande arte 

No dia 16 de março de 1941 nasce o primogênito de João de Oliveira Machado e Leonora Dusch Machado, em Joinville. Sua carreira começa em 1961, quando cursa a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ganha o 2º prêmio em pintura no Salão da Primavera. Trabalha como coreógrafo da TV Paraná – Canal 6, Curitiba e faz desenhos para o Diário do Paraná. 
1962 – Juarez ganha dois prêmios, em desenho e escultura, no Salão dos Novos; título de Melhor Escultor do Paraná, Salão Paranaense; medalha de prata em escultura, Salão de Curitiba, e bronze, Salão da Primavera, estágio no estúdio de Mário Cravo (Bahia); cenários para TV e Teatro Guaíra. 1963 – Inicia sua atividade como ator cômico (teatro e TV). Primeiro prêmio no Salão Cidade de Porto Alegre e medalha de prata no Salão da Primavera, em escultura; em pintura, menção honrosa no Salão Paranaense. Estágio do estúdio do escultor Francisco Stokinger (Porto Alegre); coreografia para TV e Teatro Guaíra e Teatro de Bolso de Curitiba. 
1964 – Exposições coletivas em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre; primeira individual de desenhos na galeria Cocaco; medalha de ouro no Salão da Primavera, escultura. 
1965 – Prêmio de aquisição no Salão Paranaense; painéis em residências e órgãos governamentais. 1966 – Passa a morar no Rio. Expõe na galeria Brasil-Estados Unidos; desenhos e programação visual na OCA – arquitetura de interiores. 
1967 – Desenhos na Bienal de São Paulo; desenhos para Cartuns JS, suplemento de humor do Jornal dos Sports e para a revista semanal O Cruzeiro. 
1968 – Participa de coletivas e publica semanalmente desenhos de humor para o “Correio da Manhã”. Desenhos para a 1ª Feira de Arte do Museu de Arte Moderna; painéis e quadros para os hotéis Luxor e Regente; desenhos de apresentação de arquitetura; desenhos de publicidade; direção de arte da Revista Galeria de Arte Moderna. 
1969 – Individual de desenhos de humor, Galeria Cavilha (Rio de Janeiro); prêmio internacional, V Bienal de desenho de humor na arte (Itália); trabalhos de artes gráficas, criação de símbolos e marcas; projetos e painéis em casas comerciais, hotéis e restaurantes; participação na equipe do arquiteto Sérgio Rodrigues; publicações semanais em “Fatos e Fotos” e para “La Codorniz” (Espanha). 
1970 – Primeiro livro de humor, Editora Livraria Francisco Alves (Rio de Janeiro); individual de desenhos de humor, Galeria Cocaco (Curitiba), membro dos juris do 1º Salão Nacional de Desenhos de Humor e Salão Paranaense de Belas Artes; direção de arte no jornal “Arte e Educação”, desenhos semanais para a revista “Manchete”; balé, coreografia e figurinos para Elis Regina Especial (TV). 
1971 – Exposição de desenhos de humor nas galerias Bonino (Rio de Janeiro) e Ciclo (Porto Alegre); criação e execução de praça pública em Curitiba; desenhos semanais para a revista Manchete; balé, coreografia e figurinos para Elis Regina Especial (TV). 
1972 – Individuais de humor na Mini Gallery (Rio) e Arte Aplicada (São Paulo); estudos em Israel e Grécia; membro do departamento de criação da Rede Globo, programas “Uau” e “Faça Humor Não Faça a Guerra”; desenhos para selos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 
1973 – Individuais de humor na Mini Gallery e Arte Aplicada. Decoração para o carnaval no Copacabana Palace Hotel; cenários e figurinos para “Mamãe, Papai está ficando roxo”, de Oduvaldo Vianna, Teatro da Galeria; viagens de estudos para a França, Dinamarca e Itália e depois Chipre e Itália. 
1974 – Individual de humor na Mini Gallery; criação e execução de praça pública em Joinville; cenários e figurinos para Roberto Carlos Especial (TV) e “Pluf, o fantasminha”, de Maria Clara Machado, Teatro Tablado; publicações semanais nas revistas “Pardon” (Alemanha), “Pilote” (França), Finlândia e Editora Abril (Brasil); desenhos para publicidade, estamparias, ilustrações de livros e capas de discos; monitor da Clínica Social e Psicanálise (terapia através da arte com crianças e adolescentes). 
1975 – Individuais de humor na Casa da Cultura e Arte Aplicada (São Paulo); individual de objetos de humor na Morada (Rio); membro de criação da Rede Globo; personagem do programa “Fantástico” da TV Globo; livro de humor da Franck Fehmers Production (Amsterdã) em coedição com oito países da Europa; no prelo, pela mesma editora, livro a ser editado em quatro idiomas; publicações semanais nos principais jornais e revistas brasileiros; criação do Grupo de Criatividade Juarez Machado, para crianças e adolescentes no Colégio Anglo Americano; primeiro “show” ao vivo, além de cenários e figurinos, com Calos Miele, Boate Sucata; exposição de Joias a Quatro Mãos, em prata, com Caio Mourão. 
1976 – Restauração e montagem da segunda casa mais velha de Joinville (que será doada à cidade como museu); cenários e figurinos para “O Porco Ensanguentado”, de Consuelo de Castro; no prelo, três livros de humor da Editora Primor e Educação Sexual para Crianças, pela Bloch Editores.

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